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Denilson Cardoso de Araújo


VALEU 2008! CHEGA MAIS, 2009!

 Ano novo, ano velho, são convenções. Medidas. Assim como num lugar se usa "uma légua", no outro, "um quilômetro". Tamanhos diferentes para a mesma função. Farinha que aqui pesa um quilo, noutra geografia dizem: alqueire. Que noutras terras, afere já... a própria terra estendida.

             Assim como os judeus medem-se em mais de 6.000 anos, cristãos contam pra lá de 2.000. Claro, há lá, como cá, seus marcos, suas datas base, certas performances astrais a considerar, astrólogos que deram pitacos, imperadores e papas que fizeram seus calendários. Mesmo assim, os geólogos reclamam que as contas são rasas. Astrofísicos, então, se riem das pobres somas sem luz.

 Mas contadores precisam da data. O comércio também. Fabricantes de softwares anti-bugs milenares, nem se fala. Bancos, igualmente. Acionistas precisam avaliar seus resultados. Políticos precisam prestar suas contas, tantas vezes, impressionantemente imprestáveis.

             E, afinal, precisamos parâmetros pra entender estes cabelos brancos que nos chegam (impiedosos, pra uns, indispensáveis a outros) já que as rugas, bom, estas têm seu próprio aniversário, pois, se enrugados ao mundo chegamos, enrugados daqui partiremos, botox à parte, claro.

             Mas tem ano que nunca fica velho, como aquele da boa lembrança, do primeiro cinema, da namorada primeira. Ou aquele do susto, como "o ano em que nossos pais saíram de férias" que até vira filme. Tem ano de tanta desventura, que nunca termina, como disse Zuenir Ventura. Outros anos, entretanto, às vezes acabam antes da hora e a gente fica só ali, esperando o calendário, mas o ano mesmo, em sua substância, foi-se de há muito.

             E tudo é tanta convenção que o horário de verão está aí, pra não me deixar mentir. Todo mundo combina, e quando o relógio der as doze badaladas "notúrnicas", vamos fazer de conta que já é uma da manhã do outro dia. E não é que a combinação dá certo?

             Seria bacana, então, se de vez em quando se começasse novos anos em pleno agosto, por exemplo. Todo um povo resolvia. Ah, este ano já era... Vamos começar outro! Daí combinavam e estava feito, que nem crianças, quando escolhem se chamar de outro nome. Ia bagunçar calendários, fusos e agendas, mas e daí? O sabor do novo seria mais bacana, a nova oportunidade. O novo capítulo a escrever.

             Claro que aí mora o perigo, de finais de ano precoces. Tempo precioso abortado. Gente que, querendo se livrar de problemas, de desafios necessários, ia querer encurtá-los, podando uns meses ao ano. Afora aqueles, mal acostumados de modernidades e indústria,  que gostam sempre de tudo novinho e não teriam paciência com o velho ano, lá já pelos seus outubros, alquebradinho, cansado.

             É. Melhor deixar como está. Até porque é bacana também todo mundo se encontrar com esta madrugada, ao mesmo tempo. Como se todo um planeta, seus povos, recebessem, de uma vez, uma alforria de seus erros, um indulto dos becos sem saída, uma nova oportunidade.

             Esta é a época do ano em que todos viram meio boêmios, meio poetas, atravessam noites, cantam canções, levantam preces, muitos namoram sob o luar, tantos se beijam sob um céu de fogos. Roupas brancas, esperanças brancas, o ano branco chegando como um cavalo voador, uma nuvem de carneiros, como um caderno novo, com cheiro de floresta, pronto pro lápis de aquarela do viver.

             É uma combinação, um pequeno truque, uma medida pobre, necessária à organização do humano. Que seja! Mas é delicioso o acordo, a fantasia, e concreta a esperança que se renova. Enquanto eu escrevo estas linhas já me disseram que, na Austrália, por exemplo, já é 2009! Imagine alguém num vôo medido, calculado, de velocidade controlada pra exercer, como fazia o Pequeno Príncipe recuando a cadeira no seu asteróide, muitas vezes repetidas a experiência do ano novo!

             Feliz 2009, australianos! E pra você que há tempos já começou seu ano novo aqui mesmo, nesta geografia conhecida: Feliz Ano Novo e sábia decisão! Renove-se! Pra você que não agüenta mais 2008, não o dispense assim. Dê-lhe uns beijos nas faces. 2008 serviu bem ao calendário, fez o melhor que pôde. Nós é que, tantas vezes, queremos anos de grife, repetidos, com garantia de fábrica. Daí, quando 2008 traz umas dores que não vimos em 2007... queremos devolver o ano, como uma camisa que encolheu. Mas não. Cada ano tem seu sabor. Cada vinho tem sua safra. Cada alegria, seu perfume. Cada dor, sua marca.

             Por isso não deixe 2008 partir sem dar aquele telefonema que falta. Sem procurar aquele amigo distante. Sem olhar nos olhos da filha querida. Sem passar as mãos na fronte do ancião tristonho. Não leve bagagem velha pro ano novo. Arrume teus armários. Esvazie as gavetas do inútil.

             Obrigado, 2008. Foram espinhosas, tuas tarefas. Mas foram belos teus versos, inscritos em nossa vida. Alguns, doídos, mas versos. E versos sempre são belos. Até os ruins. Ali, pelo menos alguém tentou sair da matéria. Nada mais divino. Um pássaro que aprende a voar. Neste ano, mais precisa bati, uma ponta de asas. Um dia ainda avôo.Valeu, 2008.

            Chega aí, 2009. Dá-me cá um abraço! Vamos caminhar juntos mais esta aventura. Que sejamos dignos da oferta. Que nossas velas recebam bons ventos. Que Deus nos conduza na viagem.

***

Deixo meu beijo aos amigos de sempre; aos companheiros antigos; aos soldados de outras batalhas; aos recém-conhecidos; aos que não me entenderam mas confiaram; aos que não confiaram mas acabaram entendendo; aos que, porque não entenderam, nunca vão confiar; aos que me fizeram crescer, com sua crítica, com seu sorriso, com seu apoio, com seu desprezo; aos que repartiram comigo o pão da alegria; aos que de piedade riram das minhas desastrosas piadas; aos que me contaram piadas certeiras; aos que me emprestaram ombros, aos que me cederam lágrimas, aos que me presentearam paciência e boas palavras; aos que sofreram e me ensinaram a sua dignidade; aos que se alegraram mesmo quando era escuro; à minha amada querida, à minha filha tão cara... deixo um beijo. Deixo um beijo a Deus, que se manifestou em recados tão precisos, tão preciosos, por todas essas ocorrências, bocas, acidentes e caras. Deus que é maior do que tudo isso. Que tão grande é que precisa nos mostrar as formigas nas folhas, para que, afinal, entendamos. Nas pequenas coisas, as galáxias.



Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 15h02
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CAFÉ DOS ANCIÃOS, O filme e a vida - Não há direito sem respeito que o preceda.

                     Assisti "Café dos Maestros", o filme argentino de Miguel Kohan, um documentário de poesia reverente, mas que parece um épico dos cabarés e alcovas. Há personas inusitadas. Uma cantora que se chama... Lágrima Rios! Cantores octogenários. Pianistas lendários. Orquestras algo impiedosas, nos acordes que esfaqueiam a medula.

                    Ali está o tango dos pobres, a música das calles, o híbrido de som negro com orquestra européia, o pano de fundo de romances violentos, tragédias de amor, ou apenas de ternuras  saudosas, vestidas de percal. Há no tango uma virilidade harmônica, uma melodia dramática e a plasticidade teatral da dança. Por vezes não parece dança, mas se faz duelo. A mulher, com a rosa no cabelo. Fêmea fatal. O homem, com chapéu tombado à testa. Poeta cafajeste. No fundo, a aventura humana, com suas máscaras, desvendando seus mistérios.

                    As cordas gemem. O bandoneón ataca. Pousado no colo do músico idoso, aquela caixa sanfonada, batida em ritmos e esmagada em foles, é um drama à parte. Fechado, um cubo que guarda lágrimas. Aberto, uma serpente geométrica, que se retorce e derrama melancolias brilhantes.

                    Gustavo Santaolalla, músico argentino, é um anfitrião discreto, um fã, na verdade,  deslumbrado pela oportunidade de imortalizar ídolos e gênios tantas vezes esquecidos.

                    Muitas lições no filme. O respeito à arte, acima de modismos de mercado e ocasião. A reverência aos velhos, apesar da tendência ao esquecimento, ao abandono, ao desprezo pelos  idosos nessa sociedade pós-moderna que opta por uma adolescência eterna. Peter Pans idiotas, em que o mercado nos torna.

                    Vimos antes esse bonito respeito no filme  "Buena Vista Social Clube", com Win Wenders trazendo ao mundo os grandiosos músicos cubanos. Temos visto isso nos preciosos trabalhos de Marisa Monte com a Velha Guarda da Portela. Mas me recordo do encantamento juvenil quando conheci essa mesma reverência em Caetano cantando Vicente Celestino (a dramática "Coração Materno"). Há também um belo, imortal e reverente registro de Chuck Berry, feito por Keith Richards. Claro, duas encrencas ambulantes reunidas, brigaram muito, mas o resultado é lindo. "Hail!Hail!Rock 'n' Roll" é o nome do documentário em que foi registrado o show-celebração promovido pelo guitarrista dos Stones.

                    Dentre os dez mandamentos entregues a Moisés está "HONRAR PAI E MÃE".  O respeito aos anciãos foi, durante milênios, o pilar de muitas sociedades. O revival dos modismos orientais ou do mito do "bom selvagem" chega a ser ridículo, em alguns segmentos, hoje em dia, porque querem apenas o modismo exterior, mas desprezam, exatamente, um dos núcleos filosóficos positivos - nem todos o são - de tais culturas: o respeito à sabedoria e à pessoa dos velhos.

                    Em muitas culturas observa-se a coincidência entre senectude e sabedoria. Especialmente em culturas de tradição oral. Um provérbio africano diz: "Velho que morre, biblioteca que arde".  O velho é o repositório da história, da cultura, da sabedoria acumulada por um povo. Promove a ponte entre o passado e o futuro.

                    Mas, hoje, infelizmente,  despreza-se isso.  E ao arrepio não só do bom senso, mas da própria lei. A Constituição Brasileira trouxe o caminho para o Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/03).  É certo que o ordenamento buscou, em tempos de jogarem-se idosos na lata do lixo social, garantir o envelhecimento digno. Mas é evidente que cogitar pensões  melhores, lugares nos ônibus, vagas em estacionamentos, não será o bastante para chegar-se ao que realmente interessa.  Essas questões são acessórias. Fazem do idoso vítima (sim, vítima) da caridade social. O tratamos como elo mais fraco. E o são, realmente. Mas ou se resgata a autoridade e a voz do ancião, em nossa sociedade, ou sempre teremos essa postura piedosa, que põe no mesmo saco bichinhos em extinção, crianças órfãs e idosos. Só que estes últimos, deveriam ser os guias, os conselheiros, os patriarcas de tribo. Como a sociedade adolescente não os quer, já que, em geral, velhos são críticos, viveram muito, perguntam mais, desconfiam sempre... estamos desperdiçando nossos idosos.  E os confinamos a uma invisibilidade coberta por eufemismos como "melhor idade", "terceira idade", obrigando-os a, quando muitos ainda poderiam estar produtivos em tantas áreas, passearem em excursões e fazerem ginástica na praça (isso na melhor das hipóteses). Ou então, o que é mais comum, a definharem em quartos e asilos infectos. De qualquer forma, guetos, sufocantes e desumanos estes, mais dourados aqueles, mas guetos, ainda.

                    Precisamos resgatar a auto-estima do idoso, coisa que a lei não faz. Coisa que demanda uma revolução no pensamento ocidental da descartabilidade rápida, de eletrônicos, softwares e pessoas.

                    O belíssimo filme "Chega de Saudade", que Laís Bodansky ambientou num salão de danças, mostra um idoso assim, de bem consigo, o idoso que baila, e que, bailando, ama, sofre, chora, é normal e se constrói como sujeito. Mantém sua identidade. No filme, há um casal quase adolescente que,  frente ao vigor da senectude dançante, descobre-se decrépito. Uma lição.

                    As crises de autoridade familiar, de indisciplina escolar, de corrupção e desleixo estatal, passam pela crise do papel do ancião em nossa sociedade. Este que se envergonha da rejeição e esconde seus cabelos brancos - quando, por bom senso, por exemplo da tradição dos hoje tão reverenciados povos primitivos, por imitação da boa prática de culturas orientais, tão em voga, e até por ordem bíblica ( Levítico 19:32: "Diante das cãs te levantarás, e honrarás a face do ancião") - devia ser ouvido, saudado e amado.

                    Alguém poderá argumentar que nem todo idoso merece assim tanto respeito, porque pode ser um mau caráter, pode ser sido um jovem frívolo que acumulou maldade e desperdício. Concordo. Há Pinochets por aí. Aliás, ainda recorrendo à Bíblia, vemos que até isso é previsto. Salomão escreveu a condicionante: "Coroa de honra são as cãs, quando elas estão no caminho da justiça".  Só pra lembrar: cãs significam cabelos brancos. Mas cabelos brancos, de per si, não operam santidade, é fato. Os perdulários, de bem e de bens, costumam pagar caro na idade avançada. Desprezaram filhos, abandonaram esposas, desperdiçaram fortuna. Não podem pretender serem amados na idade provecta, por filhos que antes renegou. Numa mesa de audiências, tenho visto, pode-se impor a pensão, o sustento, certos deveres materiais. Mas amor, ah, amor não se impõe.

                    O que na vida do jovem de hoje se constrói é que lhe permitirá o respeito dos mais novos, na idade avançada. E, infelizmente, temos observado uma juventude apressada, perdulária, desperdiçando-se em pródigas baladas... E aí, voltamos ao mesmo ponto. O jovem de hoje menos errará, melhor caminhará, se receber  as luzes do ancião, cujos caminhos lhe podem tanto ensinar.

                    Por isso, senhores operadores do Direito, façamos aí nossas ações para garantir o transporte gratuito aos idosos, que o Ministério Público aja para impedir o não cumprimento da preferencialidade ao idoso em filas, estacionamentos e atendimentos, exijam os governos providências para impedir os abusos dos planos de saúde, que os juízes condenem instituições de saúde que negligenciam o atendimento aos idosos, que as repartições respeitem as prioridades legais, que os motoristas de ônibus sejam repreendidos quando deixam  velhinhos abandonados nos pontos... e que sejam prazerosas as viagens de melhor idade, que tenham bom repertório os bailes de terceira idade, que seja saudável o tai chi chuan pelas praças, mas, que acima, de tudo, construamos genuíno respeito, reverência e aprendizado.

                    Que os velhos não precisem ter vergonha da sua velhice. E que aprendamos com eles, os registremos em lentes imortais de nossos olhos, de nossos diários, de nossos livros de família, de histórias à beira da mesa do almoço. Assim como em "Café dos Maestros". Que sejam, nossos idosos, nossos mestres. Não os objetos da nossa piedade. Deixarei uma sugestão. Neste ano que se encerra, meus pais contaram, ambos, 08 décadas de existência. Redigi para a família pequenas biografias contando um pouco de suas lutas, seus dramas, suas vitórias. Importante para os jovens, netos, bisnetos, saber que aquele casal de anciãos tem tanto  a ensinar. Perceber que cada ruga daquela é uma vivência real, uma luta na montanha do Senhor dos Anéis. Importante para os jovens o aprendizado de que não foram eles, jovenzinhos imberbes, ou a Microsoft ou a Nintendo que inventaram o mundo. O mundo é mais velho. Como dizem, ainda os africanos, "nossos pais o viram primeiro". Por isso nos deram estirpe e linhagem. Aprendamos com eles.

                    País de idosos que seremos, construamos desde já o respeito que, certamente, gostaremos, nós mesmos, de receber. Isso só será possível se passarmos a  ver o idoso não como o peso social a ser carregado por todos. Mas sim como o patriarca sábio a ser conduzido em sua liteira de dignidade. Embora não possa mais caminhar à frente da tropa, porque as pernas não mais suportam, embora não mais enxergue tão longe, porque os olhos se vão, ainda traz as palavras mais certeiras, porque vindas de mais longe, banhadas na intempérie, nos ventos da viagem.

                    E quando o idoso sequer palavra tiver, pensemos nele como um símbolo. Aprendamos a ser cuidadores, tarefa tão penosa e difícil, mas tão superior moralmente ao desprezo frio e ao abandono cruel. Que aquele idoso, enquanto puder estar conosco à mesa, ou numa poltrona da sala, que ali permaneça, como um poste de luz. Certamente enxergaremos melhor.

*.*



Categoria: POESIA, ARTE E CIA
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 11h32
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SOLIDÃO

 O engraçado da solidão é que ela acaba virando uma presença que se pega.

Como em mosteiros com monges em suas celas, calados, como em becos com ébrios solitários, como em casebres obscuros onde revolucionários sonham, como tendas, onde incompreendidos missionários famintos, entre tribos, oram.

Monges vêem o Espírito Santo, aquele ébrio embala Cristina, revolucionários recebem a justiça, e missionários assistem milagres.

É que encarna-se, a solidão. Torna-se concreta, ser palpável, talvez o único confiável. Um ser todo metamorfoses, que tem filtros, conselhos, boas lentes. Realça valores, obscurece bagatelas. A gente aprende os corretos sentimentos. Por isso, Deus fala em voz de solidão. Assim a poetas. Assim a profetas.

Aprendi a não chorar solidão. Quando a sua faca vem ao peito e o aperta, aprendi a apreciar sua prata e descobrir a lua que, com uma nesga de vermelho, mergulha nela.

Pra quem tem certas missões na vida, é bom acostumar-se a essa companheira, a solidão. Afinal, certas auroras cobram preços de noite profunda. Há que haver quem acenda os lampiões. Por isso, não queira ser compreendido. Assobie enquanto labora. Nine o sono dos meninos, nas casas. Não te conhecerão: que importa? Tu velas por eles.

Solidão pode ser uma caverna com um catre de lama. Um monstro. Mas pode ser um  caminhar sob estrelas. Uma ave. A gente escolhe. Afinal, viver é um jeito de olhar.

Eu escolho os paraísos que na solidão se escondem.



Categoria: EU E OS MEUS
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 20h01
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